Uma fuga do padrão do jornalismo. Do clichê: lide, sublide e complemento. O professor Victor Mazzei revela como trabalhar com a criatividade.

Perguntas como "Você se acha criativo?" e "Quais atitudes são criativas na área de jornalismo?" abriram o minicurso de Criatividade no Jornalismo, ministrado pelo professor Victor Mazzei na Semana de Comunicação da Faesa.

Primeiro, veio a tona o que é ser criativo. E Mazzei explicou que o verdadeiro criativo trabalha. Pensa em como implementar as ideias e conhecer os limites do mundo real, como escassez de material, dinheiro, ou tempo. “Criativo é o sujeito que corre riscos. Que corre atrás da resolutividade”, afirma.

Ser criativo é fazer algo diferente a cerca do normal, do ordinário visto todos os dias na redação.“Como os serviços hoje são muito parecidos, se não há o diferente, vira tudo normal e já era. Com isso, não possui nenhum tipo de valor para nós”, comenta Mazzei.

Um dos tópicos sobre como alcançar a criatividade no ambiente de trabalho, foi a relação entre o ambiente e o repertório cultural que cada indivíduo apresenta. Foi apresentado o gráfico em que o estado de espírito, o contexto, os dados culturais e a bagagem de vida incentivam no que o indivíduo irá produzir.

Legenda: Gráfico que demonstra a capacidade de associar os elementos. Foto: Ingrid Lourenço.

Na explicação do gráfico, como “estado de espírito do sujeito” se insere o humor em que a pessoa acorda. De bom humor, feliz, proativo, são exemplos. No “contexto”, as características do lugar em que se está é o que vale. Se é um ambiente participativo, se está em círculos sociais, se é competitivo, que recebe feedback, e outros.

Em “dados culturais”, o que a pessoa leu, assistiu e ouvir de relevância cultural segue como primordiais para a formação do caráter. 
E em “bagagem de vida”, as experiências obtidas durante a vida, como fatos que vivenciou ou presenciou, momentos da infância, traumas, alegrias e decepções são exemplos.

Mazzei destaca sobre o gráfico que o interessante é a capacidade de associar elementos. “O potencial para conectar todas as informações e estímulos obtidos. O uso pleno da invenção e da fantasia”, conclui.

Professor Mazzei ministrando o minicurso. Foto: Ingrid Lourenço.

Porta de entrada

Quando questionado sobre a importância de existir a disciplina de Criatividade para o curso de Jornalismo e não só o de Publicidade, o professor explicou qual é a dica para se tornar criativo qualquer que seja a área de atuação no mercado de trabalho. Ouça a resposta no áudio a seguir:


As empresas criam um potencial criativo quando implementam entre os escritórios jogos, como na empresa Google.


Criatividade jornalística

Mirella Bravo, professora de jornalismo estava participando do minicurso como aluna, escolheu assistir esta palestra para ampliar os horizontes sobre a criatividade no jornalismo. “Entendo que vindo aqui e ouvindo um pouco, percebo se tenho isso e como se exercita, ou que não tenho e como posso ter criatividade”, conta.

“Cada vez mais o jornalista é cobrado para ser criativo. Desde sempre. Nossa profissão está cobrando muito esse novo olhar”, ressalta Mirella.

Vinícius Lodi, aluno de jornalismo do quarto período, escolheu participar como voluntário na equipe de apoio do minicurso porque sente que, às vezes, tem bloqueio criativo.“Às vezes falta criatividade para eu pensar em outras pautas, esse tipo de situação. Pensei em participar porque pode ser uma oportunidade para abrir mais minha cabeça e aprender mais sobre isso também”, comenta.


Por fim, Mazzei passou uma dinâmica, em que em grupos de cinco pessoas, os alunos teriam que criar uma história com dez palavras soltas escolhidas aleatoriamente pelos alunos da sala.


As dez palavras eram: persiana; mostarda; jacaré; caxumba; emoção; suavidade; morte; vida; poste; e temer.


Dinâmica do grupo da Mirella. Foto: Ingrid Lourenço.

Antes de acabar o minicurso, foram entregues cinco perguntas consideradas o TRUMFO da criatividade. Que caso o leitor consiga respondê-las e usar ao favor do trabalho, a criatividade será alcançada.
1) Como tenho usado minha criatividade?

2) O que me motiva a exercer minha criatividade?
3) O que me impede de exercer meu potencial criativo?
4) Como posso contribuir para ter um ambiente mais criativo?
5) O que a criatividade pode fazer pela minha carreira?


Dicas

Não há um pó de pirlimpimpim para ser criativo, mas existem dicas para impulsionar o que já existe dentro de cada um.

Mazzei responde: qual a dica para ser criativo em qualquer área?

Precisamos nos permitir ser criativo. Muitas vezes a gente não é criativo porque não queremos nos expor. Temos medo  do julgamento do outro, do julgamento próprio. Ou achamos que as pessoas vão nos classificar, como ousados demais. O criativo, às vezes ele não exerce o potencial porque ele sabe dos riscos que pode ter com isso. Então ele acaba ficando dentro da caixa para não ter nenhum tipo de problema. O criativo sempre vai ter problema, como problemas de aceitação. A criação é um ato de permissão e a criança se permite.


Se gostou do minicurso, o último livro do professor Mazzei pode ser encontrado aqui.


O texto acima foi publicado no site Faesa digital, no dia 1º de novembro, a postagem você confere aqui.

Beeeijos,